Impostos chegam até a 50% do preço do seu carro
Muitos sonham no alcance da sua estabilidade financeira. Jovens, adultos, idosos, todos querem poder ter um pouco de dinheiro e começar a adquirir seus bens, principalmente o primeiro automóvel. A espera é tanta, as economias também são, mas o que às vezes é deixado de lado são os gastos extras que a compra de automóveis acompanha. Hoje, segundo o estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, estima-se que o Brasil tenha mais de 43 milhões de veículos transitando em território nacional. Um paraíso para quem arrecada e um drama para quem paga. Ao apresentar dados sobre a produção de carros no Brasil em 2018, Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Automóveis (Anfavea) voltou a declarar que o “Brasileiro paga dois carros e leva um”. A fala de Moan é focada à tributação que há sob o valor agregado dos automóveis que pode chegar até 54,8% em alguns modelos. Mas antes de falar mais afundo sobre a tributação, é bom dar atenção aos primeiros gastos fixos com impostos que um cidadão tem ao adquirir seu automóvel.
Ao fechar a compra com um vendedor de concessionária, o comprador vai negociar o valor e ao bater o martelo da sua compra deverá desembolsar de começo uma alíquota de 4% do valor do seu carro para o Imposto Sobre Propriedade de Veículos, o IPVA. No Rio Grande do Sul, por exemplo, se você adquirir um Chevrolet Onix 2019 que custa na faixa de R$40 mil, o IPVA estará na casa de R$1.200 mais R$12 do seguro obrigatório DPVAT, de acordo com os valores atualizados para 2019. Além disso, ainda há os gastos com a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRVL) e o emplacamento.
O cenário fica mais caótico quando é estudada a quantidade de impostos sobre o valor agregado de um automóvel. Em comparação com os Estados Unidos, o brasileiro paga em média 43% a mais pelo mesmo produto, por conta da alta taxa tributária. O economista e empresário Guilherme Ribeiro Pavanello ressalta que as condições de produção de carros no Brasil são diferentes de outros países que são potências no mundo, mas avalia que não há motivos para mais da metade de um veículo ser composto só por tributos: “A gente pode pensar que nos países do Mercosul seja mais difícil a produção de veículos por termos que importar peças do mundo inteiro e tecnologia dos grandes centros, porém a produção de veículos no México, país que também faz parte do Mercosul, é cerca de 20% mais barata que no Brasil” pondera o economista.
Somando PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS, a média de tributos cobrados para carros produzidos em território nacional vai de 37,2 a 54,8% em alguns estados como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que contêm as maiores alíquotas de ICMS do país. O cineasta carioca Lucas Villiger conta que no último mês, comprou um Hyundai HB 20 Retch por R$40 mil, valor de um carro considerado popular. Entretanto, se ele quisesse um carro Sedan com motor de maior potência, pagaria no mínimo R$20 mil a mais. Neste cenário, Pavanello ressalta que há uma escala de taxações progressivas de acordo com o tamanho e motor do carro “quanto maior é o carro e mais potência ele tem, mais alta fica a alíquota. Se compararmos os carros 2.0 para 1.0, por exemplo, sobe 3% geral na média de tributos”.
![]() |
| Representação gráfica dos valores de impostos cobrados em um carro |
A maioria desses tributos que são pagos são destinados para a manutenção de vias públicas, estradas e para o investimento na trafegabilidade do país. Porém, muito que se enxerga a partir de um panorama geral é a má administração desses recursos. Villiger, questiona este panorama “pago quase R$2 mil por ano só de imposto para poder trafegar com uma propriedade que eu já adquiri, que é minha, mas que mais parece um aluguel ao governo Tenho que pagar para poder usar e nem boas condições para andar a gente tem”, finaliza. Ao analisar o cenário econômico brasileiro, Pavanello propõe que a principal solução para a economia do Brasil seria diminuir a carga de impostos sobre bens de consumo, mesmo que em um primeiro momento isso represente uma diminuição da arrecadação estatal, mas que aos poucos aqueceria a economia e estimularia o consumo da população.
Até aqui conseguimos notar que nem sempre guardar dinheiro e comprar um carro é o melhor investimento. Quando se adquire um bem deste porte, deve-se preparar o bolso para gastos extras que sempre virão. O Brasil em 2019, demonstra ser um modelo de economia complicado para quem quiser consumir. Altas tributações, serviços deficitários e inúmeras burocracias para poder fazer uma compra são parte da agenda do brasileiro que almeja, pelo menos, sair do transporte público e ter seu meio de locomoção individual.


Comentários
Postar um comentário